Eleições 2010 – Brasil

Bom dia Nobres Cavalheiros e Eleitoras Donzelas….

Esse período de eleição sempre me desperta diversos sentimento, e pensando sobre isso lembrei de uma música da banda mineira Tianastacia que diz:

Tudo fora de controle
E o controle da TV
Me controlando
Eu que então pensava
Que me controlava
Tava ali descontrolando…

(…)

Cabeça vazia
Cheia de informação
De noite e de dia
É oficina do diabo
Então!..

Nesses últimos dias estamos sendo bombardeados com propagandas de pessoas que nunca vimos, mas que mesmo assim, insistem em nos tratar com profunda intimidade, essas pessoas podem ser reconhecidas pelo prefixo de “candidato”,

O eleitor envolto as sedutoras propagandas padece em meio as dúvidas, os preconceito, o comodismo e, inevitavelmente, as abobrinhas pseudo-intelectuais, o que piora ainda mais a condição do indivíduo que recebe informações desencontradas e desnecessárias.

Semana passada eu li um texto no blog DNT que falava sobre as possibilidade que o eleitor brasileiro está tendo com o avanço das redes sociais e a participação maciça dos candidatos, promovendo assim uma interação e agilidade nas informações, mas em contra partida, deixam a tábua da discussão mais rasa.

No cotidiano “das 10 melhores” temos candidatos e partidos disputando número de seguidores no twitter, e os debates se desenrolam despreocupados amadores e até certo ponto banais. No debate do portal UOL de semana passada foram duas horas que poderiam ser editadas em 10 ou 20 minutos.

Alguns alunos me perguntam qual a minha opinião sobre tudo isso, como se eu fosse um líder prestes a mostrar o caminho certo a ser seguido, então eu olho para o lado e vejo alguns colegas que afirmam suas opiniões como os muçulmanos fazem suas orações. Me sentindo no dever vou revelar minha opinião, ou melhor, meu desejo: Quero debates sérios que discutam as pautas importantes, não quero as pecuinhas e muito menos que me contem qual é o problema e quem errou, pois como diz o poema de Elisa Lucinda:

Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.
Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde
o primeiro homem que veio de Portugal”.
Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? IMORTAL!
Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente
quiser, vai dá para mudar o final!

E é com minha esperança imortal que eu trago um texto de Gilberto Dimenstein “Papai Lula, mamãe Dilma e titio Serra” , espero que ele ajude aqueles que querem e aos que precisam refletir sobre a política e o futuro, como todos os dias a força está na mão de cada um de nos.

Texto:

Um dos traços marcantes desta eleição é Lula apresentar-se como pai e Dilma como mãe, na lógica do acolhimento familiar. Os eleitores, vistos como filhos, são infantilizados, numa jogada de marketing referendada, na prática, pelo PSDB -afinal, Serra guindou o presidente à condição de principal referência da política, tentando grudar-se à sua imagem até na propaganda eleitoral.

Uma parte da explicação para essa infantilização da cidadania está numa informação divulgada na semana passada sobre a relação dos brasileiros com os impostos.

A maioria dos brasileiros (89%) desconhece quanto paga de impostos. Não imagina o que sai diretamente do seu salário para sustentar os governos. Tampouco o que é cobrado nos produtos consumidos -aliás, muitos nem desconfiam de que, por trás do preço do pão ou do cafezinho no bar, pagam imposto na exata proporção que um rico paga. Estamos falando aqui dos moradores das principais cidades, supostamente mais informados, segundo pesquisa lançada na quarta-feira passada pela Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro).

Poucos imaginam que trabalhamos mais de quatro meses todos os anos apenas para pagar impostos.

Trazer a lógica familiar para a política significa colocar a criança recebendo a proteção de um pai em vez de um governante atendendo a um cidadão que paga imposto.

Se as pessoas tivessem todos os dias na cabeça os quatros meses de trabalho reservados aos governos e os comparassem aos serviços públicos recebidos, a pressão seria fatalmente muito maior.

Causam muito mais espanto notícias de despesas públicas legais, que quase não geram indignação popular, do que o estardalhaço com a descoberta de bandalheiras.

Usando uma ínfima, desprezível mesmo, parte dos desperdícios, acabaríamos em pouco tempo com a miséria no país. Quando falo pouco tempo, estou me referindo, sem exagero, a 12 meses.

Peguemos uma medida lançada por pesquisadores da FGV: dobrando a Bolsa Família, o Brasil acabaria com sua miséria absoluta. Isso significa cerca de R$ 15 bilhões adicionados ao programa. É muito?O Brasil paga hoje, por ano, R$ 470 bilhões para manter os servidores públicos federais, estaduais e municipais. Com uma economia de 4% desse valor, já se obteriam mais recursos que os R$ 15 bilhões.

Será que alguém acredita que cortar 4% da folha de pagamento do funcionalismo público de uma máquina obesa provocaria um desastre administrativo?

Pagam-se por ano cerca de R$ 25 bilhões só para cobrir o rombo deixado pelas aposentadorias dos servidores públicos, a maioria deles federais. É quase um trem-bala e bem mais do que o necessário para dobrar a Bolsa Família. É fácil ver por que o buraco é tão fundo, quando sabemos que a média do salário dos servidores do Executivo federal é R$ 5.700. No Judiciário e no Legislativo, é mais do que o dobro disso. Com a pressão dos ministros do Supremo Tribunal Federal para receberem um salário de R$ 30 mil, as despesas de todos os poderes tendem a subir em cascata.

O buraco não seria tão grande se não estivesse parada no Congresso uma lei que visa aprimorar a contribuição dos servidores para a sua aposentadoria.

Há uma série de obras questionáveis, que fazem escoar bilhões. José Serra tem razão ao questionar se R$ 30 bilhões destinados ao trem-bala não seriam mais bem empregados em outros investimentos. Também se pode mostrar como empregar melhor a quantia de R$ 1,9 bilhão que Serra usou para ampliar a marginal do Tietê, obra que, na prática, serviu apenas para postergar por pouco tempo o congestionamento de carros. Colocar o dinheiro no metrô, por exemplo, seria uma opção.

Nem estou falando de quanto teríamos de crescimento econômico e distribuição de renda se os governos fossem mais eficientes e investissem melhor seus recursos em educação, saúde e infraestrutura.

Se prevalecesse a lógica do cidadão que sabe quanto exatamente dói pagar tantos impostos e receber tão pouco, que sabe que o governo não está fazendo favor, o incômodo com o desperdício seria muito maior. E, numa eleição, haveria menos espaço para conversa de papai e mamãe ou titio.

PS- No www.dimenstein.com.br, a íntegra da pesquisa sobre impostos.

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