Aliterações de bar

Ao contrario do que diz Reginaldo Rossi, melhor que matar a saudade, a mesa de bar é o local mais apropriado para discussões sobre política, sociedade e idéias, enfim, sabatinar a vida e a sociedade, isso não é novidade a ninguém.

A história sem pretensões acadêmicas ou filosóficas, que logo contarei, escolheu esse cenário boêmio para acontecer, quando reuniu um publicitário, um advogado e um historiador em tempos de eleições.

Entre bolinho de carne seca e cerveja o publicitário, como é de hábito profissional, libera a pergunta que sintetiza diversas variáveis: – Como um candidato a presidência tem 57% de intenções de voto?

Seria corpo a corpo, as propostas, a equipe do marketing que iniciou antes do período eleitoral, o menino propaganda, seria a pessoa certa na hora certa no lugar certo, seria o trauma do governo Collor e a agora as pessoas buscam sempre a opção mais feia?

O advogado preocupado em deixar suas convicções muito bem claras, apesar do seu já conhecido esquerdismo político, buscou na figura mais reacionária da esfera dos presidenciáveis, a certeza de seu voto, justificando que o liberalismo da direita é apocalíptico para a economia nacional e a antiga oposição, hoje situação, se tornou tão insólita que não merece discussão.

Em meio as duvidas e as certezas, o historiador, pensativo, invoca  Machado de Assis :“ – A nação não sabe ler. Há 30% dos indivíduos residentes neste país que podem ler; desses uns 9% não lêem letra de mão. 70% jazem em profunda ignorância. Não saber ler é ignorar o Sr. Meireles Queles: é não saber o que ele vale, o que ele pensa, o que ele quer; nem se realmente pode querer ou pensar. 70% dos cidadãos votam do mesmo modo que respiram: sem saber por que nem o quê. Votam como vão à festa da Penha, – por divertimento. A constituição é para eles uma coisa inteiramente desconhecida. Estão prontos para tudo: uma revolução ou um golpe de Estado.”

A partir dessa inesperada declaração, todos param e refletem, refletem e refletem…ao fim de longos quinze segundos de silêncio, o bêbado anônimo sugere a resposta: “Ide, comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai porções aos que não têm nada preparado para si;”

Gargalhadas…e alguém fala: “- Mais uma porção de pasteizinhos e duas bem geladas, está na hora de mudar de assunto.”

2 comentários

Filed under Educação

2 responses to “Aliterações de bar

  1. Adorei o blog Joao, você arrasa!! Bjs da sua fã nº 1!!

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